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A ESPANHA DE SIRA QUIROGA*¹ NA GUERRA CIVIL (1936-1939)

                                                           Leonardo Lisbôa

O líder esquerdista, Manoel Azaña, tornou-se o Presidente da República da Frente Popular e bradava que ele veio para evitar a Guerra Civil. Enganava-se. Fatores externos e internos somaram-se para lançar a Espanha em três sangrentos anos de lutas.

Dada à complexidade vejamos isto de uma forma simplista:

I - Contexto Externo

“O contexto internacional não era favorável ao reformismo social – democrata” (BUADES). Por que:

a) A União Soviética (comunista totalitária de Stalin e contrária às demais vertentes esquerdistas) via sua economia crescer e era  vista como apoio e iria eliminar estas outras tendências.

b) Por outro lado, havia o exemplo que apoiaria os Nacionalistas espanhóis, do Terceiro Reich Alemão e o Stato Nuovo Italiano.

II – Contexto Interno

a) Anarquistas – acabaram sendo dirigidos pela Federação Anarquistas Ibérica (FAI) na organização de ondas de greves revolucionárias e se opuseram ao reformismo republicano.

b) Liderança de Francisco Largo Caballero do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) que se aproximou das “teses comunistas”.

c) Herdeiros políticos dos absolutistas do século 19, os Carlistas, que organizaram grupos paramilitares, Os Requetés.

d) O grupo fascista liderado por José Antônio Primo de Rivera , ‘A falange’.

Os Monarquistas se reuniram e incentivaram a conspiração militar contra a república querendo, na verdade, a restauração do rei Alfonso XIII.

O governo republicano suspeitando enviou os generais para áreas afastadas de Madri. Por exemplo, o Francisco Franco foi para as ilhas Canárias, próximo do protetorado do Marrocos, sede das tropas de elite do Exército Espanhol.

“Franco era um dos generais mais prestigiosos do Exército” (BUADES). Porém, ele iria se envolver totalmente com a insurreição após o assassinato de José Calvo Sotelo, líder monárquico.

Contra o general insurreto, o governo republicano tinha ao seu lado quase a totalidade da Marinha, a Guarda Civil e os Guardas de Assalto. Quando estas forças aliadas não puderam mais, o governo entregou arsenais aos partidos políticos e aos sindicatos.

Os dois lados, golpistas e aliados, Governo e Nacionalistas, buscaram apoio no exterior.

“Franco... Conquistou sucessivas vitórias ao garantir o transporte das tropas africanas para a península Ibérica graças, em boa medida, aos aviões oferecidos por Hitler e Mussolini. Vindo do sul, o generalíssimo alcançou as portas de Madri... Mas a resistência popular evitou a queda da capital, movida pelos gritos de ‘Não passarão’ da deputada comunista Dolores Ibárruri, conhecida como ‘La pasionaria’”. (Idem).

Mas “as potências do Continente travaram uma luta por procuração na Espanha. Alemães e italianos apoiaram decisivamente os nacionalistas, enquanto a República, abandonada pelas democracias, se tornou um peão nas mãos dos soviéticos”. (SOUZA).

Vamos lembrar que o organismo internacional existente nesta época era a “Liga das Nações” (a Organização das Nações Unidas – ONU – só surgiu após a 2ª Guerra Mundial). A L.N. votou a formação de um comitê de Não Intervenção à ação do Nazi-fascismo.

“A política de não intervenção, dessa forma, se tornou uma farsa que impediu um governo legalmente constituído de comprar armas para se defender” (SOUZA). O Governo Republicano se deixaram levar pelos interesses da União Soviética de Stalin.

Quem se fortaleceu foi o general Francisco Franco, pois não houve significativa interferência da Alemanha e da Itália nas diretrizes internas e na atuação dos Nacionalistas (como fazia Stalin aos Republicanos, que os abandonaram por interesses da política internacional com o pacto de não agressão com os alemães). Tanto que enquanto Mussolini e Hitler caiam ao final do conflito mundial, Francisco Franco permaneceu no governo da Espanha até sua morte em 1975.

Pergunta-se:

1) Por que Francisco Franco, que por menor influência que teve do  Nazi-Fascismo, permaneceria no poder por mais de 30 anos terminada a Guerra Mundial e Getúlio Vargas de governo com tendências fascistas caiu em 1945?

Entre tantas possibilidades está o fato de os Estados Unidos não querer um governo forte na América e as forças internas brasileiras não afinarem mais com a política getulista.

2) Em que momento o Conflito Espanhol daquele contexto se instersecciona com a Literatura e com a arte em Geral?

Temos várias respostas:

a) O Clube de leituras elegeu a discussão do romance de fundo Histórico de autoria de Maria Dueñas “O Tempo entre costuras”, que é pespontado com a “Guerra Civil Espanhola”.

b) “Em diversas partes do mundo, artistas e intelectuais declararam apoio a causa republicana, e alguns, como escritores Ernest Hemingudy e George Orwell., Chegaram a pegar em armas para defender a democracia na Espanha. O chileno Pablo Neuda e o francês Albert Camus, mesmo após o término do conflito, tornaram-se notáveis porta-vozes do antifranquismo. Comitês de auxílio à República Espanhola foram organizados em muitos países, contando com a adesão de artistas ilustres como Charles Chaplin e Clark Gable” (SOUZA).

c) Guernica é uma obra plástica de Pablo Picasso e sua fruição se deve ao fato de “no dia 26 de abril de 1937, após quase um mês de lentos avanços das tropas nacionalistas, a Legião Condor bombardeou e destruiu a cidade sagrada dos bascos, Guernica. A pequena cidade foi a primeira na história a ser metodicamente demolida a partir do ar e Madri, a primeira grande capital a ser pesadamente atacada por meio do avião. Após o bombardeio, a vitória era uma questão de tempo, e o País Basco foi conquistado com a tomada de Bilbao, em 19 de junho de 1937” (NEVES).

Parabéns ao Clube de Leitores de Barbacena por privilegiar a leitura do referido livro e suscitar a oportunidade de revisarmos este episódio da história da humanidade, lembrando que “quem esquece o passado está condenado a repeti-lo”.  Ademais, para aqueles que perguntarem o que o Brasil tem com isto, sugerimos a leitura do artigo de André Cattas e verão  que muitos espanhóis vieram para o Brasil e contribuíram para a nossa formação econômica e política.

*¹ Protagonista do Romance de Maira Dueñas “O Tempo entre Costuras”.
*² Livro escolhido pelo Clube de Leitores de Barbacena, MG, para leitura e discussão.  

REFERÊNCIA:

1- BEEVOR, A. – A Batalha pela Espanha (A Guerra Civil Espanhola, 1936/39) Ed. Record – RJ. SP. 2007.

2- BUADES, J.M. – As Duas Espanhas. In Dossiê: Guerra Civil Espanhola. Entre o Sonho e A Barbárie. In. História Viva. Nº. 70. www.historiaviva.com.br.

3- ________________ Não Passarão! Idem.

4*²- DUEÑAS, Maria – O Tempo entre Costuras – SP. Ed. Planeta do Brasil, 2010.

5- FIUZA, B. – A Revolução Abortada. Idem.

6- SOUZA, I.I. de – A Guerra Civil Européia. Idem.

7- NEVES, L.F. da S. – Cemitério de Ideologia. Idem.

8- GATTAZ, A. – Nas Trevas do Franquismo. Idem.






Leonardo Lisbôa
Enviado por Leonardo Lisbôa em 07/10/2011
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