Textos

A Flor
Sempre houve uma dor,
latejantemente doída.
Já doeu tanto,
que virou  FLOR.



L.L. Bcena, 04/10/2011

POEMA 538 - CADERNO:  POEMAS   AZUIS*

*Dedicado ao meu filho, Phill.

AZUL

Uma vanessa tropical travou na campânula
de uma ipoméia
o vôo oscilatório e helicoidal.
Dobra o quimono de franjas sinuosas,
marchetado e hachureado
com minérios de cobre:
aréolas, anéis, jóias concêntricas,
olhos de íris elétrica e de pupila enorme,
ocelos de um leque de pavão.
Sinto o perfume da flor nova,
com mais dois estames, buliçosos,
e quatro pétalas, de um esmalte raro,
molhadas nas tintas de céus fundos,
e cromadas com faiança das lagoas...

João Guimarães Rosa – in: MAGMA

PS-      Phill,
observe que no corpo do poema não aparece o vocábulo 'AZUL', mas o poeta nos arremete a variedade de substantivos azuis e daí o título do texto (coisas de poetas, sobretudo do grande J.G.R).                          
                                                          Leonardo Lisbôa.



Leonardo Lisbôa
Enviado por Leonardo Lisbôa em 10/01/2012
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