Textos


Artistas  de Rua
(Flores Perfeitas para Amores Desfeitos)

 
As flores perfeitas são a busca da igualdade social, oportunidades para todos, respeito às diferenças. Será utopia? Talvez porque até a flor amor-perfeito tem suas folhas e sépalas desfeitas pelo vento. Mas advir o tempo...  a esperança é que nos move e há de trazer o homem humano.

 
O que seriam os “amores” que precisam ser desfeitos?  Seriam os preconceitos, aquilo que não cabe mais no presente, aquilo que nos aproxima da barbárie, ideias que se mostram ultrapassadas por mais fazer mal que bem.

 
Os “amores” que devem ser desfeitos são os  orgulhos  que fazem olhar para  o outro com desprezo e indiferença. São as mentiras do discurso da exceção que se baseiam na falácia do progresso e ordem onde tudo seria supostamente perfeito. Meras  aparências sociais onde o feio social é  escondido nos hospícios, áreas urbanas que se fazem na marginalização...

 
É a  escola da reprovação que afasta os considerados  não aptos com a peneira dos exames escolares que já trazem em si o discurso da eliminação; os antigos  vestibulares para barrar aqueles que não tinham condições mínimas para concorrer por falta  de alimentação adequada, de recursos didáticos para o bom estudo, e nem escolas de qualidade.

 
É a ideia da aprovação sem critério para apenas atingir metas governamentais sem análise das   reais razões da não aprendizagem. São as turmas lotadas nas escolas públicas. Escolas sem infraestrutura para o processo ensino-aprendizagem. Profissionais da Educação mal pagos.
 
Há outros “amores”  que devem ser desfeitos: indicação política para cargos públicos; escolas agrícolas para manutenção de uma oligarquia: réplicas das “Casas Grandes”; religiosidade exacerbada que enxerga paliativos em um suposto mundo espiritual paralelo ao real; misoginia  que se faz através de toda forma de machismo.
 
Os “amores”  que se mascaram de perfeição e que devem ser desfeitos pelos ventos de novos tempos são ainda: neoliberalismo; desemprego; que fazem gerar o crescente número de andarilhos; perseguição de minorias; crença cega e ingênua de que o sucesso virá como agrado do destino... Tudo gerando as flores dos  males sociais.
 
Está crônica foi escrita por receber de um artista de rua a seguinte mensagem de Augusto Cury:

“Sem sonhos, a vida não tem brilho.  Sem metas, os sonhos não têm alicerces. Sem prioridades, os sonhos não se tornam reais. Sonhe, trace metas, estabeleça prioridades e corra riscos para executar seus sonhos. Melhor é errar por tentar do que errar por omitir!”
 
E ali estava aquele homem fantasiado de estátua de barro entregando a quem contribuísse para seu sustento mensagens desta natureza. Ele embarreado para representar uma imagem – São Francisco de Assis? – enfrentava o frio cortante de um inverno das serras mineiras.
 
Parabéns a todos os artistas – flores perfeitas -   por nos fazer repensar a vida. Já que a politicalha, com seus defeitos,  é incapaz de prover melhorias sociais – amores que hão de ser desfeitos sempre.
 
Parabéns pela coragem dos artistas de ruas: palhaços, malabaristas, estátuas tipo o homem lunar e  o santo de barro, por acreditar em projetos para a materialização de sonhos sociais.
 
A formação da sociedade é uma construção contínua em que sempre cabem questionamentos, críticas e propostas.
 
Amores perfeitos!

 
*O texto foi escrito no início do mês. Mas agora veio a calhar com a discussão municipal sobre a apresentação de artistas e artesãos na praça que é PÚBLICA. 
 
Leonardo Lisbôa
Barbacena, 05/ 09 /2017
 
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Leonardo Lisbôa
Enviado por Leonardo Lisbôa em 16/09/2017
Alterado em 17/09/2017
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